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A SEDE DA AMI COMO (RE) FUNDAÇÂO DO LUGAR
O edifício sede da AMI poderá desempenhar uma acção refundadora ao criar um lugar nesta paisagem urbana, que hoje consideramos a extensão subjectiva da cidade contemporânea. Do mesmo modo que a Igreja e o Adro de S. Domingos de Rana possuíam características de fundação (estabilidade da forma e emanação simbólica) em relação à paisagem e à comunidade, um edifício com a carga simbólica da AMI poderá operar uma transformação positiva, incorporando e intensificando os temas da cidade contemporânea.
A sede da AMI poderá ser o veículo para a revitalização do espaço público, gerando um centro, agregador do comércio circundante, contribuindo também com uma emanação cultural centrífuga elevando a qualidade média da arquitectura e construção aí presente.
A proposta constitui-se como o remate de um sistema urbano complexo, com cadastros, matrizes, morfologias e ocupações diversas. Este remate configura e completa a Avenida S. Miguel, libertando a frente poente e abrindo-se a Sul, revelando um prado arborizado.
A escala da sede da AMI é de continuidade com o ambiente urbano, permeável enquanto edifício e, sobretudo, um lugar de mediação entre as várias condicionantes construídas e aquelas enumeradas em caderno de encargos.


 
 
O CATALIZADOR DE UM NOVO AMBIENTE URBANO
O ambiente urbano de S. Miguel das Encostas, embora consolidado ao longo da avenida, em parte devido à presença de comércio, fluxos pedonais e arborização, caracteriza-se por uma estrutura física dispersa e circunstancial. Com uma topografia pronunciada e vários modelos de ocupação – da moradia, passando pelo edifício de habitação colectiva de baixa densidade até aos edifícios de ocupação mista de alta densidade – urge realizar um remate no lote disponível capaz de reagir a todas as escalas (volumetrias e cérceas) e expressões variadas que hoje se verificam.
O remate foi concebido como o fecho sul de um sistema urbano que desenha e disciplina o construído e o não-construído, que passa a ser apreendido com clareza e consequência. A estratégia parte do princípio da redução do impacto da volumetria do edifício, tirando partido do divisão lógica do programa (horizontal e vertical) para alcançar uma adequação de escala(s).
O projecto consiste no fecho de um aglomerado complexo, e procura dispor os blocos programáticos de modo a disciplinar a relação entre construído e não-construído, colocando ao centro do sistema um espaço arborizado – um jardim aberto a sul – apreensível do espaço público a partir de todas as cotas. Os Espaços Exteriores procuram definir um ambiente diferenciado, polarizador, em torno do qual o conjunto se organiza, reforçando a sua unidade e revelando uma paisagem amável, por oposição à fragilidade e escassez paisagística hoje dominante. Na frente nascente do edifício, onde foi estipulado uma bolsa de estacionamento, é proposta uma cortina de árvores de grande porte. O edifício sede da AMI procura, apesar do seu recuo em relação à avenida, uma leitura de continuidade urbana ao longo deste espaço canal arborizado.

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PERMEABILIDADE
Embora a estrutura morfológica dos edifícios que compõem o conjunto urbano seja muito condicionadora relativamente a uma permeabilidade entre si, entendemos que o tema “permeabilidade” é central para a implantação do novo edifício, num ambiente urbano que carece de espaço público. A proposta foi concebida no sentido de valorizar os espaços semi-públicos ou colectivos, que se desenharam visualmente permeáveis, capazes de definir hierarquias nas circulações e na utilização dos espaços de trabalho.
A presença do vazio – ao centro da proposta - foi também valorizada de modo a ser apreensível quer do espaço público, quer dos espaços de trabalho. A proposta procura implantar a nova sede da AMI num sistema urbano que poderá no futuro sofrer uma intervenção global que se prende com as acessibilidades entre os diversos ambientes urbanos – e respectivos espaços públicos.

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VALORIZAÇÃO DO PROGRAMA/ DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL
A solução consiste na divisão do programa num sistema composto por quatro volumes dispostos em U aberto a sul, de modo a tornar a massa construída menos impositiva e mais sedutora nas relações (imediatas e distantes) com a envolvente, e também para hierarquizar as diferentes componentes do programa. Os quatro volumes, formalmente autónomos, orientados longitudinalmente no sentido nascente/ poente (excepto a cresce que se orienta longitudinalmente a norte/ sul), de volumetria paralelepipédica, definem e acolhem um fragmento de paisagem – um espaço exterior que funciona como denominador comum.
O espaço exterior clarifica toda a proposta, a partir da sua descoberta, visualmente possível desde o espaço público. Este pode ser fruído a partir do interior do edifício: do Átrio, Cantina e Auditório, mas também das salas de trabalho e de reuniões.
A disposição do programa em torno da mancha arbórea constitui um modo de fundação de um lugar e uma crítica ao programa por forma a gerar um sistema de percursos, vivências. Para isso contribui um tipo arquitectónico, o da varanda coberta. A varanda pode ser o lugar de encontro, com sombra, que agrega o sistema nas suas partes e possibilita uma circulação fluída pelo exterior.

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esquema evolutivo da ocupação e disposição do programa valorizando a orientação solar e a permeabilidade entre volumes

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VARANDA COMO ESPAÇO DE ENCONTRO/ TERRAÇOS COMO ESPAÇOS DE REPRESENTAÇÃO
O projecto desenvolve-se em torno de um espaço exterior arborizado. As varandas que se desenvolvem nos pisos 01 e 02 reforçam e fruem esta centralidade. A sua largura permite a utilização dos espaços em contextos de trabalho ou descanso. As varandas constituem-se como o prolongamento dos gabinetes de trabalho e propiciam uma circulação intensa entre todas as partes do programa, contribuindo para a informalidade das relações de trabalho.
Os terraços constituem um “Espaço de Representação” conforme é pedido no Programa Preliminar. O “Espaço de Representação” proposto divide-se em dois espaços exteriores, um ao nível do piso 01 e outro ao nível do piso 02 e são comunicantes através de uma escada exterior.
Esta proposta, em alternativa à sua implantação na cobertura do piso 02, prende-se com o facto de se ter querido valorizar o “Espaço de Representação” como consequência “exterior” e directa dos espaços de trabalho. Foi entendido como um espaço passível de fruir o ambiente gerado pela sede da AMI – varandas cobertas e árvores - com acesso franco a partir das várias áreas funcionais do edifício.

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varanda e terraço piso 2

TUBOS DE FERRO, CORTINA EXTERIOR OU LOGGIA
O edifício sede da AMI está envolto numa “cortina exterior” de tubos de aço que filtram a luz nascente e sul para o interior de uma loggia, percorrível nos dois pisos e unida através de uma escada exterior. Esta “cortina exterior” confere uma expressão unitária ao edifício e, em simultâneo, reage de forma complexa e variada às sombras provocadas pelo sol.
No interior a “cortina” contribui para o conforto térmico dos espaços de trabalho mas também para o conforto perceptivo, já que permite o acesso à varanda, e por consequência um deambulatório até aos “Espaços de Representação” que abraçam um prado e se orientam a poente.

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Loggia no piso 2

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Localização: S. Domingos de Rana, Cascais

Projecto: 2007/ 2008 (concurso)

Arquitectura: Ricardo Carvalho + Joana Vilhena com Rui Mendes

Equipa: Joana Vilhena, Ricardo Carvalho, Rui Mendes, Inês Campos, Francisco Costa e Sebastião Taquenho

Fundações e Estruturas: ARA_Fernando Rodrigues

Instalações e Equipamentos Eléctricos e Mecânicos: LMSA Engenheiros_Luis Malheiro (coordenação)

Arquitectura Paisagista: Victor Beiramar Diniz

Cliente: AMI

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