ricardo carvalho + joana vilhena |
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![]() “A habitação é o reflexo mais imediato e extraordinário de cada indivíduo” Bruno Taut, Die Neue Wohnung A casa é o lugar onde mito e necessidade se encontram. O acto de construir a casa não delimita apenas o interior, funda também o espaço que está lá fora. Habitar implica a circunscrição de um espaço, um limite material ou físico, criando a dualidade entre exterior e interior. A casa desenha a rua, e ao mesmo tempo enquadra e ampara a vida quotidiana. Em Luanda a vida desenrola-se em igual medida no exterior e no interior, e a proposta potencia esta realidade. A casa que propomos tira partido da rua e da vida no exterior, na sua multiplicidade de actividades de comércio, trabalho, atravessamentos e encontros. A proposta que apresentamos recorre a elementos de arquitectura intemporais. Recinto, Pátio, Escada, Pavilhão e Terraço. O recinto é o lote fornecido, que na proposta apresentada permite que a associação de duas casas possa tirar partido desses espaços intersticiais de solo permeável. A repetição de lotes poderá gerar um universo de espaços privados, semi-privados e públicos, gerando complexidade e surpresa. O pátio cilíndrico é o elemento de fundação da proposta. Os pavilhões, que entendemos serem os espaços domésticos, envolvem o pátio comunicando com este. A casa é composta por espaços cuja função importa não definir à partida. A flexibilidade e realismo da proposta provém da não especificação do destino dos espaços. Os moradores poderão apropriar-se da casa de um modo inesperado, dividir espaços ou mudar a utilização destes. A escada exterior de acesso ao terraço duplica-se e constitui a frente de rua. A repetição deste elemento gera uma identidade urbana. Os terraços são a afirmação do lugar semi-privado onde todas as actividades podem ocorrer. A vida poderá ocorrer nos terraços na sua vertente mais pública, e para lá do muro o mundo interior da vida privada desenrola-se em torno a um pátio circular. |
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