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PERMEABILIDADE / ATRAVESSAMENTO
Abordar o programa da futura sede da Ordem dos Arquitectos em Faro, significa reflectir em dois tipos distintos de Permeabilidade. O primeiro prende-se com uma Permeabilidade entre uma corporação profissional e a comunidade. O segundo tipo prende-se com a Permeabilidade física dos elementos que constituem a ideia do projecto, que se assume como uma estrutura física, um lugar material, capaz de introduzir alterações críticas ao ser implantado, estabelecendo relações na cidade até aí inexistentes.
Considerou-se o edifício uma peça integrante de um sistema urbano complexo -carregado de memória de séculos sobrepostos mas também fragilizado por intervenções recentes - passível de introduzir uma alteração crítica à tipologia de lote dominante neste troço de cidade, que se caracteriza pela ocupação máxima do solo disponível. Entendeu-se revelar o interior do quarteirão, através do seu atravessamento, permitindo simultaneamente ligar a Rua Nova e a Travessa da Trindade. Com esta nova Permeabilidade o edifício pode vir a estabelecer uma nova relação crítica com o tecido urbano onde se implanta, estimulando, de forma regrada, fluxos e dinâmicas diversas na forma de habitar este troço de cidade. É também uma hipótese de re-invenção do ambiente urbano passível de ser executada através da simples substituição do esquema tipológico de um lote.

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PÁTIO CANAL
Para tornar possível a permeabilidade pelo interior do lote, tomou-se a opção de adossar o edifício à empena sul, que possui uma cércea aproximada de 09.25m, libertando e reconstruindo o muro norte, configurando um espaço estreito e longo, que se assume como um pátio -um pátio canal. Este espaço revela por completo a estrutura conceptual e física do projecto, que assume o perímetro do lote como limite, ocupando-o apenas parcialmente. O pátio canal justifica-se também pela necessidade de levar a iluminação natural constante a todo o edifício. Devido à sua orientação a Norte / Noroeste a exposição solar da fachada é mínima, sendo que o muro se torna um plano reflector, caiado de branco; reforçado também pela claridade do pavimento em lajetas de calcário.
A instalação no edifício no interior do lote, uma peça abstracta intra-muros, leva o espaço público e privado a limites habitualmente não experimentados noutros programas. A ambiguidade criada por este dispositivo, entre interior e exterior, entre limite e fechamento, participa desta vontade de forçar os limites entre o público e o privado a uma nova condição. A pele de vidro que reveste o edifício vai sublinhar ainda mais a fluidez referida, parecendo imaterializar-se e oferecer como limite o muro caiado de branco.

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FLEXIBILIDADE
A proposta desenvolve-se desde a associação espacial e funcional das partes constitutivas do programa, segundo uma perspectiva crítica de caracterização de ambientes não-específicos para cada ocupação ou uso. A flexibilidade traduz-se numa dialéctica entre Espaço Servidor e Espaço Servido, sendo que o espaço servido está sujeito à mobilidade, elasticidade e evolução e o espaço servidor assume características opostas: é tipologicamente fixo. O espaço servidor foi implantado junto da empena sul e distribui-se por dois pisos. Trata-se de um elemento estrutural, numa solução mista de aço e betão, que é também simultaneamente infra-estrutural. O Espaço Servido distribui-se também por dois pisos. No piso térreo situa-se o Expediente / Recepção, uma peça autónoma, materializado como uma caixa negra - uma casa dentro de um edifício, bem como o Centro de Documentação e um Gabinete de trabalho.

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Localização: Faro

Projecto: 2003 (concurso)

Arquitectura: Ricardo Carvalho + Joana Vilhena

Equipa: Joana Vilhena, Ricardo Carvalho e Tiago Tomás

Estruturas: A2P_João Appleton

Instalações e Equipamentos Eléctricos e Mecânicos: Luis Alegra

Cliente: Ordem dos Arquitectos


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